Sinal verde para Luizianne e Heitor; amarelo para Inácio e Moroni e vermelho para Cambraia…

Os argentinos são os melhores, ou os mais atualizados, pesquisadores de opinião pública da América Latina. Nas grandes campanhas nacionais, tem sempre alguém parecido com Julio Aurélio pelo meio. Com o próprio, em vários seminários internacionais, além de palestras gravadas, aprendi o que o senhor Julio batizou de técnica de projeção dos votos indecisos. Boa bola de cristal para entender o que significam as primeiras sondagens eleitorais, notadamente as intenções estimuladas em conjunção com o chamado voto flutuante, como a divulgada ontem no Jornal do 10: Inácio 34%; Moroni 26%; Cambraia 15%; Luizianne Lins 6%; Heitor Férrer 4%; Aloísio Carvalho 1%; Caminha 1%; indecisos, brancos e nulos, somados, 13%.
Segundo esta estimulada, 87% já tendem para algum candidato. Número bastante alto para uma campanha que sequer começou e ainda depende de definições decisivas, pois não se sabe quem será o vice de Inácio Arruda, que larga na frente. Se alguém mais próximo ou mais distante do núcleo duro cirista.
Tudo que os atuais números revelam é a já conhecida relação entre taxa de conhecimento x intenção de voto, síndrome pré-eleitoral que já enganou e, pelo visto, vai continuar a enganar muitos. Os candidatos mais conhecidos partem na frente, os menos ficam atrás.
Inácio, Moroni e Cambraia (ex-prefeito) são os mais conhecidos. A questão é saber quanto % o são. Se Inácio e Moroni são conhecidos com taxas acima de 90% do eleitorado, e só têm os votos que a pesquisa acusa, pior para eles, que largam com largos problemas de imagem a corrigir – o que pode ser feito, se houver competência, vontade e maturidade para tal cirurgia imprescindível. Se Cambraia, candidato do cada vez mais coronel Jereissati, além de ex-candidato de Juraci, tem uma taxa de conhecimento acima dos 80% e só conseguiu converter 15%, pode ir para a fila do transplante de DNA, pois a posição na hora da largada está na faixa crítica.
Em sentido oposto aos favoritos, Inácio e Moroni, estão os que desde já podem ser considerados os azarões do páreo, a louraça Luizianne e o baixinho invocado Heitor Férrer. E explico com a régua do mestre Julio. Luizianne deve ter uma taxa de conhecimento bastante baixa, talvez menos de 30%, pelas pesquisas que já orientei ou analisei. Se ela tem 30% e 6% topam votar nela, é porque o terreno, como diria Fred Lustosa, é fértil. Se Heitor, menos conhecido ainda, é universalizado em apenas 15% e 4% topam votar nele, estamos no mesmo tipo de terreno. Contudo, o problema dos dois não é de terreno, mas de sementes. A questão é saber como eles vão conseguir criar, produzir, distribuir e mobilizar o eleitor em torno de suas respectivas mensagens. Aí são outros quinhentos mil…
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“Imagine onde Inácio vai parar a largar no falso profissionalismo…” Pela boca do baralho, pelo pouco popular salto alto, pela trip amadora que já formata a sua campanha, Inácio anuncia uma largada sem maiores novidades. Talvez sem perceber, os comunistas contrataram os mesmos profissionais que desmontaram, na TV, a comunicação social da atual administração de Fortaleza. Ontem, em conversa com o dedicado Inácio Carvalho, ouvi, “vamos com esta equipe até o fim”… Será mesmo o fim, basta lembrar que este tipo de teimosia, mesclada ao mais extemporâneo patrulhamento, derrubou Inácio no segundo turno de 2000 – em uma das piores campanhas de TV já realizadas no Ceará em todos os tempos. Mesmo assim, é importante sublinhar que Inácio se mantém acima dos 30 pontos, mesmo sem ter o acesso que Moroni teve a TV. 

(Escrita no dia 25/6/2004 no pequeno grande jornal O ESTADO… Na época ninguém viu Luizianne Lins bem na antropológica zona de alavancagem…)  

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