– PRIMEIRA NOTA
Não está chovendo no cerrado piauiense. Só pancada de chuva, a chamada “chuva de manga”. Situação já preocupa quem planta soja e arroz na região de Santa Filomena — sudoeste piauiense, terra sem lei, 920 km de Teresina. Muito trabalho escravo ainda na região… O arroz foi semeado no começo de dezembro… A soja também…
– SEGUNDA NOTA
USE REPELENTE! Nova campanha turística do Governo do pobre Estado do Ceará. 7 MIL POR CENTO A MAIS DE CASOS DE DENGUE! Que é que é isso? Pior é saber que o mosquito da dengue é vetor que abre espaço para a Febre Amarela. Pior ainda, o mosquito é venezuelano, Aedes Chavez…
– TERCEIRA NOTA
Há uma corrida por vacina da febre amarela, peste de séculos passados. Sarney, memória assombrosa, relembra a Revolta da Vacina. Presidente Rodrigues Alves balançou para não ser derrubado. Rui Barbosa foi contratado para ser advogado do diabo. Não sabia dos dias de Abutre do Abaeté do Águia de Haia. Nunca imaginei que Rui Barbosa escreveria contra a ciência, que esrevesse uma campanha contra a vacinação, por exemplo… Mas o baiano Barbosa assim o fez, como o Duda Mendonça da época escreveu: “Não tem nome na categoria dos crimes do poder, a violência, a temeridade, a tirania de me envenenar, com a introdução no meu sangue de um vírus que seja condutor da moléstia e da morte! O Estado mata os criminosos. Mas não pode impor o suicídio…”.
UMA CRÔNICA — “NÃO ENTENDO O MEDO DE EXAME MÉDICO. FAZ BEM A SAÚDE SABER QUE SE VAI MORRER!
Conversávamos sempre durante horas…
– Acontece que deixaram o mosquito da dengue se instalar, montar apartamento, tirar cartão de crédito, ganhar bolsa família, abrir conta na bodega… O aedes é vetor também da febre amarela… Essa febre amarela que já matou dois em Brasília, entrou por Recife em 1685. No ano seguinte, 1686, matou uns 900 em Salvador… Uns 60 anos depois, sem providência, em 1749, estava espalhado! Só mereceu ser chamada de peste quando o mosquito foi morder lá no Rio de Janeiro, por volta de 1849. Culpado: um navio que veio de Havana.
Ele sabia contar a história brasileira como ninguém. Sinto sempre saudade dele. Perguntava sempre como entardecia o Rio de Janeiro. Adorava sorveterias. Gostava do JOBI. Achava que JOBI era a forma reduzida de Tom Jobim. Mas nunca esqueceu emsmo de seis chopps tomados na Adega Pérola com o amigo Roberto Andrade.
Quando reclamava dos bares da moda, respondia e já emendava uma série de outros assuntos, todos bons para puxar conversa.
– Você é um publicitario dos anos 70, criado nos anos 90. Mesmo que eu, jornalista dos anos 50 criado nos anos 80. Sei como é… Publicitário anos 70, músico anos 50, meu amiguinho Bernard Herman. Aliás, aquele Hitchcock era tão mal humorado que o coitado morreu cedo…
– Morreu? Com quantos anos?
– BH? Uns 60 e poucos, acho.
– Cedo para um inglês…
– Cedo pra musicos meio eruditos…
– Muito cedo para um inglês morrer…
Olha só que frase mais inglesa para ser dita por um brasileiro nato, “Muito cedo para um inglês morrer”
Ele era assim, morria de tédio, mas suportava bem.
– Falando em Inglaterra, aquela terra do cão, agora 17 horas estou tomando chá. E chá inglês, chá verde com jasmin. Agora Deus me livre se for alguma personalidade de uma vida passada querendo mais uma vez tomar conta da minha cabeça de bagre brasileiro.
– Pior é o nosso amigo Ruy que tenta ser uma encarnação viva de um inglês…
– Sabes que teve um navio inglês torpedeado na altura do Pecem? Por conta disso, começou a dar peixe por lá, e o Pecem virou uma comunidade de pescadores devido o recife artificial. Vai ver que o Ruy era esse navio.
– Já imaginei o verso. Não vou virar um recife em Fortaleza. Não vou ficar encalhado neste calor senegâles. É muito cedo para um inglês morrer…
– Quero ar, quero respirar, não quero ar condicionado pelo calor…
Era mesmo muito fácil rir diante de tanto bom humor, menos naquela hora em que mudei de assunto…
– Esse negócio de exame médico me acaba. Aquele aparelhinho de tirar pressão… Tenho pânico… minha pressão vai aos pícaros…
Ele respondeu com a mesma despreocupação.
– Ora rapaz, tem que fazer exame de sangue sempre. Faz bem a saúde saber que se vai morrer. Não entendo o medo de exame médico. Faz bem a saúde saber que se vai morrer!
Eis um homem onde a morte não fincou os seus grilhões…





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