Uma livre interpretação dos sentimentos profundos do inigualável iguana Iggy Pop…

Precisei
E usei
Preciso
Sair do buraco
De novo usarei
Estou isolado
Vazio
Cheio de dúvidas
A andar na estrada
com o pé quebrado

Sugado, suado
Porém doce,
puro, suave

As alegrias são livres
Nunca ouviu sua mãe dizer

Preciso de algum amor
como a escala de uma nota acima
Preciso de algum amor
como o poeta precisa de uma rima

Estou isolado
De mãos cheias
Isolado
Com palavras certas
Isolado
precisando de um coração complementar
para completar essa longa caminhada

Preciso de algum amor
como o corpo precisa da alma
Preciso de algum amor
como a paz precisa da calma

Minhas mãos vazias
Derrubaram o orgulho
que me prendia ao chão
Mas continuo isolado
com muito a fazer
com muito a dizer
Mas continuo isolado
O iguana Iggy Pop tinha acabado de sair de uma clínica de reabilitação quando lançou essas setas iluminadoras para os desesperados existencialistas, ou tiro sinalizador de socorro em alto mar. Só conseguiu gravar o disco por causa do David Bowie.
Iggy é iguana porque parece mesmo a imagem de um calango elétrico se contorcendo. Vai completar 61 anos em 2008. O cara continua inteiro porque como sempre afirmo a loucura ajuda a conservar. Estava nos Estados Unidos em 1997 quando o iguana completou 50 anos. Liguei para um velho amigo que mora em Los Angeles, Per Heyer, o pai dele foi gerente industrial da cervejaria Brahma em Fortaleza, perguntando se tinha como levar Augusto, então com 5 anos, para o histórico show do cinquentenário no Eletric Ballroom, em Tempe, perto de Phoenix, capital administrativa do deserto Arizona — região protegida, dizem os esotéricos por João, Apóstolo da caneta. A resposta foi não. Por lá estariam todos os pirados do oeste americano.
rosa-gif.gif É possível escrever muitas páginas sobre esse pai dos punks em rosas. Particularmente, sempre gostei dos punks. Observando bem, além do estado de consciência pré-dualista, o punk é um padrão em ponto de fuga radical. É o estado da arte, algo digno da estética subjetivista de Kierkegaard. E por dissolver a moral das épocas, um punk pode muito facilmente atingir o Centro Divino — que ganhou contornos universalmente válidos em Platão.
Além de primeiro punk, Iggy Pop foi também o primeiro racker. Antes mesmo da internet existir o iguana já lançava o conceito de anti-vírus através do pancadão Search and Destroy.
Alguns já devem ter escutado Iggy Pop mas não sabiam que era ele, através da versão para Passenger feita pelo Capital Inicial — grupo doido para ser radical, contudo, falta-lhes algo como coragem para rasgar os véus da moral mauricinha, aliás, o entusiasmado vocalista do Capital trabalhou nessas lojas de marcas do Park Shopping em Brasília, foi vendedor da Fórum, salvo enganos, sem sucesso nas vendas (vendeu apenas um par de meias) ajudou bem a ilustrar o tédio europeu descendo o rio Nilo que se transformou essa selva química da desalentada classe média urbana brasileira…
Alguns podem perguntar qual a influência do Iggy Pop, por que ainda falar dele. Aos corações selvagens não é preciso responder, mas é preciso já compreender a cultura brasileira como uma Alexandria onde aqui estão reunidos todas as matizes que fizeram a indústria da comunicação no mundo. Entender o que é Iggy Pop, observar como essa antena da raça se comportou e se comporta é fundamental para desenhar políticas culturais para a juventude, sobretudo, a juventude suburbana.
Você pode conferir mais sobre o iguanassauro no My Space, no Wikipedia em 23 línguas, no site oficial

Comentários 2

  1. Eneas Lunardelli de Souza escreveu:

    Sempre gosto de quem pega no pé da família Gomes como é o seu caso e o do sujeito desse blog que colocou até uma enquete para esculhambar o Ciro. Vale a pena você ver. Abraço e toque o porrete.

    Publicado 31 Jan 2008 em 11:52
  2. Eneas Lunardelli de Souza escreveu:

    pô, mas esqueci de dar o endereço né ??
    anota
    http://www.todoprosa.blogspot.com

    Publicado 31 Jan 2008 em 11:53

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