Quem disse que o mundo não pode ser resumido a uma caixa de concreto?

gifnewyorker.gifThe New Yorker da semana revela que no dia 6 de setembro de 2007, quatro caças israelitas atravessaram o espaço aéreo sírio para bombardear o que seria um reator nuclear — construído secretamente com ajuda norte-coreana — às margens do rio Eufrates.

Esses ataques devem ser terríveis. Primeiro lançam rajadas de magnésio para iluminar o alvo. A noite vira um dia cinzento. Depois tome bomba. Ato de guerra, sem dúvida.

Estranho a reação da Síria. Fez declarações lacônicas. Na primeira hora, reclamou da invasão do espaço aéreo, informando que os tiros não causaram vítimas ou danos materiais. Depois assumiu que uma antiga base militar foi destruída. Esse tom de não-queixa, levanta a suspeita de que estavam a esconder alguma coisa. Há quem já especule que os sírios estão destruindo provas de alguma atividade nuclear.

Se o silêncio sírio é pertubador — por indicar que o protocolo de não proliferação de armas nucleares está sendo secretamente rasgado mundo afora –, o que falar então ao perceber que uma série de autoridades mundiais esteve horas a observar fotos de uma caixa de concreto tentando adivinhar se havia dentro ou não um ovo nuclear?

Considero o acontecimento um pico nesta tensão paranóica que domina o animus mundi desde 11 de setembro. Do outro lado dos sites, há quem afirme que 6 de setembro evitou uma Guerra Mundial — há quem diga que foi um recado para o Irã — há quem afirme que o bombardeio destruiu um edíficio longe de ser uma instalação nuclear e que a Síria não tem a técnica, indústria ou capacidade financeira para desenvolver armas nucleares próprias — há quem informe tratar-se de um antigo edifício militar abandonado, usado para fabricar fertilizantes dentro da política de revitalizar a agricultura — os sírios são muito bons nisso, se fosse governador colocaria um sírio como secretário de Agricultura…

O bombardeio aconteceu porque um físico, analista de imagens da DigitalGlobe (empresa que qualquer um pode contratar) no Colorado, viu semelhanças, na largura e no comprimento, entre o prédio sírio e o prédio onde fica o reator nuclear nortecoreano. A suspeita aumentou com a notícia de que navios coreanos estavam atracando na Síria – ”levando cimento”, segundo informam os sírios. Ficou mais realçada, quando souberam que trabalhavam debaixo de tendas.

Então, bombardearam uma interrogação, alvo nuclear ou alvo imaginário? É para ser assim? Decidir por conta e risco ataques vendo e revendo fotos de satélite de uma caixa de concreto — será? será que não?

É importante informar que a Síria não é signatária da convenção contra armas químicas. Possui um poderoso arsenal de bioweapows. Portanto, mexer com os sírios é a mesma coisa que cutucar um enxame de abelhas. É importante também informar que Israel domina com mão de ferro aquela região.

Particularmente não torço para qualquer lado. Evito falar de Israel, porque reconheço a grandiosidade sangüinea e a tradição daquele povo. Evito falar da Síria porque foi em Damasco que o Apóstolo Paulo lavou os olhos depois de cair do cavalo e sei que também está em Damasco o corpo de um dos santos mais machos de todos os tempos, de João Batista, dentro de uma mesquita. Então, entre duas forças, sou budista, caminho para o centro Divino porque o importante é a grande síntese que já foi feita.

:. 

PS: Todos os navios que deixam a Coréia do Norte estão monitorados. A maioria dos navios mercantes são agora obrigados a operar com um transponder chamado AIS que permite identificação automática nos sistemas monitores do tráfego marítimo internacional. Será que os navios que atracam no porto do Pecem são todos devidamente monitorados?

PS2: Entre os grupos que acompanhar o transporte marítimo internacional está o Greenpeace.

Comentário

Seu e-mail nunca será publicado ou compartilhado. Campos obrigatórios estão marcados com *