Estava a ver aqui… O último post, 8 de abril. Hoje 11 de maio. Passados mais de um mês, retorno aos comentários. No período ausente algumas coisas aconteceram no micromundo cearense. Pelo menos 3 fatos foram relevantes nesse mês sem a-postar, acontecimentos que ainda pousam como moscas na saliva das pessoas que encontro aqui na web ou quando as botas de couro tocam o asfalto das ruas de Fortaleza, asfalto tão remendado que parecem feitos por spray…
ACONTECIMENTO 1 - Um dos fatos mais surpreendentes foi o suicídio de Democrito Dummar, herdeiro-presidente do jornal O POVO. Muitos perguntaram, provocando, se silenciara sobre o episódio. Vão dar corda na mãe… Não foi o caso. Estava na terceira margem do rio…
Essas muitas pessoas comentaram que ninguém publicou que Democrito se matou — e muitos cobraram detalhes dando N detalhes do triste acontecimento… Natural que seja assim. Há uma espécie de convenção, regra, tabu no fazer jornalistico da comunicação de massa. Ninguém publica notícia de suicídio, porque suicídio na comunicação de massa desperta outras pessoas em desalento, desespero a praticarem tal ato que só é possível entender quando se começa a conhecer os labirintos da moral composta que molda os egoísmos.
Não entendo a cobrança sobre o publicar ou o não publicar… É irrelevante… Em tempos de convergência de midia, fim do leviatã da comunicação de massa, aprendemos e somos cada vez mais surpreendidos que o fator da noticia contém o vetor que a espalha. É o vigor da era viral, que está só no começo…
Penso, posso mudar de opinião, só os muito moralistas se matam. Desta tribo de suicidas moralistas, excluir as por overdose. Usar drogas até morrer é no fundo uma tentativa na linguagem de resensibilização, de ruptura com as percepções amestradas, desespero que cumula encontrando a verdade possível nesta linguagem, a morte. Como diria Dylan Thomas, a única verdade que podemos falar é sobre a morte que nos domina. Sobre a Verdade das verdades devemos silenciar, não cair na bobagem teologizante, mera politicagem religiosa, de falar sobre o Inefável. Não há como transformar o abstrato em concreto. Quando metem o concreto para falar do abstrato fazem blocos de pedra — e não ficará “pedra sobre pedra.”
Não li as matérias publicadas sobre a hybris do Democrito. A morte iguala a todos e assim todos perdoam esperando também serem perdoados.
Tão logo soube da notícia, fui como muitos, a sede do jornal O POVO, depois também até a sua casa. Nos locais, reencontrei vários amigos, todos pasmos, sem explicação.
Nas grandes cidades é mesmo algo estranho reencontrar amigos em velórios, enterros. As expressões ficam zanzando entre sentimentos paralelos. Por um lado, a expressão de reencontrar amigos de muito tempo; por outro, a preocupação pela expressão dos aflitos, principalmente os mais familiares. Tentei falar com Vânia Dummar, mas ela estava por demais tomada da comoção, que sequer, penso, sabia distinguir quem era quem.
ACONTECIMENTO 2 - Outro fato super-destacado foi a viagem do governador Cid Gomes com a sogra para Europa — Sogra-jet, Aerosogra etc e tal. Não faltam piadas… Casa civil, casa da sogra… Levasse a sogra para a China faria um negócio da China… Mosquito da dengue pede carona para conhecer os primos que nascem no Rio de Janeiro e Luizianne Lins recomenda que o mosquito se disfarce de sogra…
A sublinhar, é que o acontecimento ilustra o teor provinciano da gestão sem filosofia do perfeccionista Cid Gomes. Quando acontecem dois erros de uma só vez, provincianismo e perfeccionismo, é porque estamos diante de um somatório de forças inconscientes. Qualquer governando que se cerca e cerceia a livre manifestação das personalidades, perde realismo — qualidade 1 para um sistema de governo impessoal e de boas decisões.
Não assumir os erros é querer continuar a conviver com os erros, até receber o flagrante que revolta, causa depressão, desorganização e desorientação. No princípio, Cid tentou abusar da autoridade anunciando que não divulgaria a lista dos passageiros, que já estava na Infraero. Depois cedeu e divulgou antes que a lista aparecesse via Infraero. Todas as desculpas foram piores do que o fato. Martelar que vieram investimentos da viagem não acerta a cabeça nem do maior dos pregos. É a mesma coisa que martelar na parede, arrancar o reboco ou um pedaço do dedo. É triste, não menos que o doidim do Nelson Martins, deputado estadual, líder do Governo na Assembléia Legislativa do Ceará, petista desmoralizado até entre os petistas, criando asas de morcego sofista…
Cid não conseguiu um centavo de investimento da viagem da sogra. No meio da maluquice ainda chamou o hotel de Edimburgo de “bom hotel” — o que será um ótimo hotel para ele? Depois saiu em carreira para Ásia e o máximo que trouxe de novidade foram 5 vagas para treinar engenheiros cearenses na indústria naval coreana.
O Ceará perdeu terreno e vai continuar assim até conseguirem eliminar a candidatura presidencial do meu amigo Ciro Gomes, que é meu amigo, mas continua sem a menor idéia sobre o que dizer para transitar neste fim da prolongada transição redemocratizadora do Brasil, porque continua metido em fardão tecnocrata que nem o Delfim Netto, padroeiro dos tecnocratas, ousa vestir.
Enquanto isso, Pernambuco concretiza mais de 40 bilhões, o Rio Grande do Norte concretiza mais de 18 bilhões, São Paulo já licita algo em torno de 342 bilhões, o Ceará ainda anuncia, sem nome aos bois ou maiores detalhes, incertos 5 bilhões — metade disso para tentar salvar o Pecem, porto dependente até da fruticultura do Rio Grande do Norte.
Assim, sem marca, sem finalidade, com metas sem sentido, o governo Cid Gomes chegou ao fim do segundo ano. Sim, fim do segundo ano, pois além de ser Ano do Rato chinês, que passa rapidinho-rapidinho, as eleições municipais já começam a ganhar as preocupações — e o governo vai ter que parar se quiser vencer nos grotões municipais para no terceiro ano passar a governar sob o discurso da reeleição…
ACONTECIMENTO 3 - Municipais, as eleições começam com o anúncio da desistência do Lúcio Alcântara da disputa para prefeito de Fortaleza. Lúcio prefere continuar na toca, mas vai atuar, e muito, nas eleições — não para vencer, mas fazer número. Boa estratégia.
No íntimo, Lúcio ainda amarga a derrota de 2006, motivada por erros de comunicação social e geopolítica… Foi um governador que manteve na máquina governamental todos os inimigos que enfrentou e foi por eles derrotado. Esteve de 2003 a 2006 ao lado de uma conspiração e só percebeu que estava traído pela astúcia na última hora, e quando tentou reagir, restou-lhe a solidão.
Faltou a Lúcio — não por falta de avisos sinceros muita vezes compreendido como crítica de frustados –, a compreensão das forças que determinaram a sua eleição para o Governo em 2002. Preferiu confiar que trair a aliança que o elegeu. Seria mesmo uma decisão muito difícil para alguém da sua cordialidade.
Gosto muito do Lúcio, detestei o seu governo, tomado por mesquinhos, medíocres, aproveitadores que estavam mais preocupados em se servir do Ceará do que servir, deixar alguma coisa em desenvolvimento… A única coisa boa dessa decisão é que sobraram na curva esses mesmos medíocres que esperavam voltar ao poder do cheque especial sem nem mesmo saber assinar o próprio nome.
Outro lance da eleição municipal veio da Luizianne, em campanha irregular, desrepeitando a tudo e a todos na sua sede de continuar com o osso do poder na boca. A tribo que está no cheque especial da Luizianne Lins continua acendendo até vela preta para que ela ganhe a eleição. Até mesmo Luizianne está nessa. Acreditam que vão vencer a eleição porque estão cheio do dinheiro, grana saindo pelo ladrão. O poder é mesmo absurdo. Sua anestesia é tão forte que faz esquecer qualquer drama vivido no passado… A tribo da Luizianne está tão doida que esqueceu que Luizianne venceu sem ter um centavo no bolso. Aliás, a lora ingrata também esqueceu quem estava por perto quando não tinha dinheiro nem para rodar 5 mil cartazes…
Agora, se Luizianne esquece, o povão não esquece. O primeiro comercial feito para ela pelo Duda Mendonça, publicitário do mensalão agora no mensalora, é pândego. O texto é tão surrado que chega a finalizar anunciando que “isso é só o começo”… Quer dizer que a administração começou no último ano?
Pior que o texto de encerramento é o texto de abertura. A desculpa de sempre. Sem conseguir falar da cidade “como está”, Luizianne fala da cidade “como estava”… Campanha de reeleição é prestação de contas, é a cidade “como está”. Como a cidade “estava” não interessa a ninguém, exceto a turma que vai dar razão a qualquer esfarrapado argumento oficial, a turma que entrou no cheque especial do banco com dinheiro público chamado Luizianne Lins — uma moça que era tão bonita, mas virou a mesma dama do atraso de sempre…
Se você acha tudo isso muito triste, é assim mesmo. Depois piora.





Comentários 1
meu caro, vc não sabe o que é a devastação de uma cidade feita por uma coligação da direita asquerosa, Kassab&Serra. Fora os 14 anos de governo tucanopefelista, aliás é essa gente que rejeita teus conterrâneos por aqui, estão fazendo uma verdadeira “higienização” no Centro de SP, enquanto Marta investiu nos pobres das periferias, os ditos fazem “rampas anti-mendigos” e jogam spray de pimenta no povo da rua na calada da noite… Dê graças à Deus que Luiziane está por aí.
Publicado 30 Jul 2008 em 21:35 ¶Comentário