Quando respiramos emitimos gás carbônico e nem por isso ficamos com sentimento de culpa…A frase foi pronunciada ontem na Assembléia Legislativa do Ceará pelo secretário estadual Antônio Balhmann, espécie de curinga dos Ferreira Gomes, eleito por eles deputado federal nos anos 90, e que agora presta os mesmos serviços de homem da confiança dos FG como presidente da ADECE, Agência de Desenvolvimento Econômico do Ceará…
Tem nome pra isso? “Quando respiramos emitimos CO2 e nem por isso ficamos com sentimento de culpa…” é comparável a frase de um ex-secretário de Saúde da Prefeitura de Fortaleza, “o povo deveria comer ratos para matar a fome…”
E em qual contexto o Blah-Blah-Blahmann falou tamanha loucura. Estava em defesa desse monstrengo poluidor que será a siderúrgica dos coreanos com a Vale do Rio Doce no Porto do Pecem…
A Vale, que acha que só ela é o Brasil que vale, completou 11 anos de privatizada agora no último 6 de maio. Não vou entrar no debate ideológico contra ou a favor a privatização. Fato é que as privatizações atenderam às razões dos mecanismos que controlam o comércio no mundo, tipo OMC. Produto subsidiado não entra, é a lei da OMC. Se a Vale continuasse estatal, não haveria mercado aberto para o aço brasileiro… Eis como complica-se à causa nacional e como acaba tornando-se contraproducente o discurso nacional-patrimonialista. Negar esse realismo é o mesmo que negar o fenômeno de audiência do futebol globalizado, que aumenta o interesse da Copa UEFA e torna algo pobre a Copa do Mundo — mas isso é outro assunto…
A Vale foi vendida à preço da banana, concordamos. Contudo, por esses caminhos de rato dos paradoxos do fazer econômico, se não fosse vendida o setor siderúrgico não decolava e não haveria os mercados que hoje supervalorizam a Vale — já-já beirando os 200 bilhões de dólares. Também não haveria todo esse festival de boas notícias da macroeconomia brasileira, da “boa gestão do Banco Central” — saiu uma excelente no The Wall Street Journal. Toda essa onda brasileira deve-se, em grande parte, a rápida subida dos preços dos produtos exportáveis brasileiros e, sem dúvida, a exportação de minérios é um dos ítens que aumentou (e muito) a nossa balança comercial.
Mas voltando a frase-ideológica-dinheirista do Balhmann, não se faz siderurgia sem energia. É quando quem consegue enxergar, consegue ver a madeira sendo para moldar e dar forma ao minério de ferro… Só a Vale quer construir 3 termoelétricas até 2010. Essas belezas queimam carvão mineral á balde. A idéia por lá, no Pará, é abastecer as termoelétricas com carvão mineral da China. Carga de retorno, vai o ferro, volta o carvão.
Não pense você que não somos responsáveis também por isso. A mente que ama os bens de consumo, ama os carros e o tudo mais que a indústria molda e forma a partir do ferro é a mesma mente que a turma persegue para ora seduzir e ora satisfazer os desejos de conforto material… Por causa dessa loucura, um terço da atmosfera da China está acima dos índices de poluição recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Naquela beleza de democracia, respirar é literalmente impossível. Tudo é cor de chumbo. Os baitolas chineses produzem 500 milhões de toneladas de aço. Para retirar tanta energia do carvão, morrem umas 10 mil pessoas por ano nas belezas que são as minas de carvão, chinesas ou de qualquer lugar…
A Vale é uma beleza para a Amazônia. Sem carvão vegetal não há ferro-gusa. E abusando do ferro-gusa, abusam da floresta. Já queimaram 21 milhões de árvores na Amazônia, segundo os webambientalistas, informação também confirmada pelo Ibama. Essa degradação que queima a mata ainda mobiliza trabalho escravo… A Vale diz que não está ligada diretamente as carvoarias, mas a realidade é que uns 150 mil carvoeiros vivem do carvão que vendem para a Vale… É a mesma lógica, quem ama os carros não tem nada com isso, apesar desse amor-automóvel manter acesso o forno siderúrgico… Certo é que se o desmatamento da Amazônia parar, o Pólo Siderúrgico de Carajás, 13 siderúrgicas, fecham…
Só na região de Carajás, Pará, são 13 siderúrgicas. O Brasil já tem tecnologia para calcular a chuva ácida? A energia mundial vem do carvão, do petróleo e do gás natural. O carvão é o mais antigo. Na China, 70% da energia é queima de carvão. A queima libera óxido de nitrogênio (NO) e
dióxidos de enxofre (SO2). Ou seja, ácido sulfúrico e ácido nítrico. Vamos tomar um banho de chuva na China? Mas o carvão começou mesmo a ser usado em larga escala pelos ingleses na revolução industrial. Você já deve ter visto a atmosfera da Inglaterra proletária do século 19, a mesma que produziu feito os punks, na fotografia de algum filme de época. Cena triste, condições de vida fudida.
O Balhmann, e penso que também o próprio governador Cid Gomes, irmão do Ciro Gomes, ex-presidenciável, acredita que 40% da energia do planeta é carvão, e que carvão é o jeito de acender o forno. E ele quer o forno quente para “correr aço no Pecem”, como Balhmann mesmo diz…
Ferro e carvão estão juntos desde a primeira revolução industrial. Pense em um casal unido. O nome dos seus filhos são Petróleo Queimado, dano ambiental que provoca dano mental em gente tipo Antonio Balhmann — que, de fato, quando pensa emite muito gás carbônico na atmosfera…






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